sexta-feira, 12 de novembro de 2010

serenar ser e ninar

antes tudo urgia
feito metrô de metró-polis
feito trânsito intransitável
feito taquicardia inquietável

hoje tudo tarda
nada arde
tudo guarda
guardo
o olhar
o timbre da voz
a hora da mensagem
a segurada no ombro
as palavras de amor transbordadas
da borda da máscara

hoje tudo é sagrado
o minuto
os dias
e as semanas
acumuladas
sem sentir sua pele

e parece que nem precisa
que assim é melhor
porque a intensidade é etérica
e minha mente é elétrica

e é bom que seja assim
deixar a mente quieta
sem razões
sem motivos
pra se sentir dona de seu corpo
e criar confusões
de posses, inseguranças e ciúme
ciúme do ciúme
fel de chorume
espinho sem perfume
ofuscado vagalume

te quero assim
sem saber
se é meu ou não
se virá ou não
porque eu vim
e estou
tranquila
a te esperar
a serenar
à ninar