O Despertar de Alamanda
após longo e tenebroso inverno, eis que desabrocham entendimentos, idéias, ações. este blog é a continuação do blog Sonhos de Alamanda e sinaliza um novo processo de descobertas voltadas à consciência às ações que levam a uma existência mais leve, primaveril e à certeza de que não estamos aqui por acaso.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
Carrossel
Quando o pensamento resolve tomar
as rédeas da doce rotina, surge
um desejo de tudo e nada
uma sede de estrada
uma respiração afobada
e viro a maior chata que já conheci
ignoro loucos e bons momentos que vivi
E fico lá rodando no carrossel
das imagens que se repetem,
que atordoam
e não levam a lugar nenhum.
sábado, 28 de dezembro de 2013
Paul Valery e Rita Ribeiro
Há momentos infelizes em que a solidão e o silêncio se tornam meios de liberdade.
(Paul Valéry)
RITA RIBEIRO - Contra o tempo
Corro contra o tempo pra te ver
Eu vivo louco por querer você
Ôôôôô, morro de saudade a culpa é sua
Bares, ruas, estradas, desertos, luas
Que atravesso em noites nuas
Ôôôôô, só me levam pra onde está você
O vento que sopra meu rosto cega
Só o seu calor me leva
Ôôôôô, de uma estrela pra lembrança sua
O que sou, onde vou, tudo em vão
Tempo de silêncio e solidão (2x)
O mundo gira sempre em seu sentido
E tem a cor do seu vestido azul
Ôôôôô, todo acaso finda em seu sorriso nu
Na madrugada uma balada soul
Um som assim meio rock n' roll
Ôôôôô, só me serve pra lembrar você
Qualquer canção que eu faça tem sua cara
Rima rica, jóia rara
Ôôôôô, tempestade louca no Saara
O que sou, onde vou, tudo em vão
Tempo de silêncio e solidão. (2x)
C
http://www.youtube.com/watch?v=_WKQd4OYbaI
Silêncios Suaves
A estupidez (ou a besteira) nunca é muda nem cega.
De modo que o problema não é mais fazer com que as pessoas se exprimam,
mas arranjar-lhes vácuos de solidão
e de silêncio a partir dos quais elas teriam, enfim, algo a dizer.
(...)
As forças repressivas não impedem as pessoas de se exprimir,
ao contrário,
elas a forçam a se exprimir.
Suavidade de não ter nada a dizer,
direito de não ter nada a dizer;
pois é a condição para que se forme algo raro
ou rarefeito, que merecesse um pouco ser dito.
(GILLES DELEUZE)
parece dezembro de um ano acinzentado
"parece que dizes:te amo, maria
na fotografia pareço tão linda
te ligo afobada e deixo confissões no gravador"...
a chuva lava e leva o calor infernal
enquanto isso me faço em silêncios
e passo meus dias a descobrir quem sou
a chuva refresca o dia e as idéias
enquanto isso penso que é muito bom não pensar
a chuva molha 2013
molha a hipocrisia
a minha
a sua
a nossa
molha os amores
reais
inventados
rurais
e urbanos
a chuva limpa
a preguiça de um povo
que mal começou a se mexer
e já deita pra descansar
a chuva encharca a grama
a cama
a marca
que você havia deixado
na minha alma pagã
segunda-feira, 21 de maio de 2012
RÚSTICA (Florbela Espanca)
Ser a moça mais linda do povoado
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,
Ver descer sob o ninho aconchegado
A bênção do Senhor em cada filho.
Um vestido de chita bem lavado,
Cheirando a alfazema e a tomilho...
Com o luar matar a sede do gado,
Dar às pombas o sol num grão de milho...
Ser pura como a água da cisterna,
Ter confiança numa vida eterna
Quando descer à “terra da verdade”...
Meu Deus, daí-me esta calma, esta pobreza!
Dou por elas meu trono de princesa,
E todos os meus reinos de ansiedade.
MEDITAÇÕES CAIPIRAS I
tem dias em que acordo assim
melancólica e quieta
e a tristeza se aproxima
qual gato dengoso
se enroscando em minhas pernas
sem miar...
o ferro de passar roupa
a tábua, o lençol branquinho
me transportam pra um outro mundo
um mundo onde os pensamentos
podem ser passados
até silenciarem
um mundo onde o vai e vem do ferro
vai deixando um rastro liso
com um cheirinho de ordem
e assim me ordeno
roupas na máquina
roupas sob o sol no varal
café no bule
fumaças e aromas
e a tristeza vira quietude
a solidão, solitude
e viver fica gostoso e leve...
(então penso, olhando pela janela:
"ainda bem que não assisto novela!")
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