segunda-feira, 21 de maio de 2012

RÚSTICA (Florbela Espanca)

Ser a moça mais linda do povoado Pisar, sempre contente, o mesmo trilho, Ver descer sob o ninho aconchegado A bênção do Senhor em cada filho. Um vestido de chita bem lavado, Cheirando a alfazema e a tomilho... Com o luar matar a sede do gado, Dar às pombas o sol num grão de milho... Ser pura como a água da cisterna, Ter confiança numa vida eterna Quando descer à “terra da verdade”... Meu Deus, daí-me esta calma, esta pobreza! Dou por elas meu trono de princesa, E todos os meus reinos de ansiedade.

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