Do nada, uma irritação
um raiva sei lá de quê
um "atravessamento"
de intensidades densas
feito lava de vulcão
se procuro motivos
me identifico com tais sentimentos
me culpo
me assusto
ou pior:
se, distraída
jogo tudo isso
em cima da primeira pessoa
que cruzar meu caminho,
aí a lava vira rio de fogo
destruição,
transformando vida em pedra
mas
se
ao invés disso
simplesmente
constato
e me deixo atravessar
por esse "devir monstro"
quietinha em meu canto
guardando em segredo
esse vulcão dentroemmim
aí, é mágico:
vulcão vira rio
rio vira orvalho
orvalho de brisa
brincalhona
a fazer cócegas
em minha nuca
atravessa e passa
passa e vai
e eu fico
aliviada
curiosa
em paz
e alegria
e constato que
de nada me valeu
toda a psicologia
(e sigo assim, "morando na filosofia")
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