em dezembro os dias têm 20 horas
alguns
outros tem dezoito
o tempo atropela
os compromissos desfilam pela agenda
e eu tento fingir que não é comigo
cumpro tudo
mas sou atropelada
pela minha mania
de querer ser infeliz
de ter medo do bom, do certo, da luz
e aí o carrossel da vida
vira ciclone de labirintite
sou obrigada a parar
e quando paro
respiro aliviada
vitoriosa
venci
venci dionísio e suas astúcias
venci mercúrio e suas asas nos pés
venci a culpa
a repetição da agonia de prometeu
o medo de dar certo
o medo de ser feliz
e o ímpeto
de meu auto-destruir
aceito
enfim
a abundância do universo
(que assim seja)
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