A FRUTA ABERTA
Agora sei quem sou.
Sou pouco, mas sei muito,
porque sei o poder imenso
que morava comigo,
mas adormecido como um peixe grande
no fundo escuro e silencioso do rio
e que hoje é como uma árvore
plantada bem alta no meio da minha vida.
Agora sei como as coisas são.
Sei porque a água escorre meiga
e porque acalanto é seu ruído
na noite estrelada
que se deita no chão da nova casa.
Agora sei as coisas poderosas
que valem dentro de um homem.
Aprendi contigo, amada.
Aprendi com a tua beleza,
com a macia beleza de tuas mãos,
teus longos dedos de pétalas de prata,
a ternura oceânica de teu olhar,
verde de todas as cores
e sem nenhum horizonte;
com a tua pele fresca e enluarada,
a tua infância permanente,
sua sabedoria fabularia
brilhando distraída no teu rosto.
Grandes coisas aprendi contigo,
com o teu parentesco com os mitos mais terrestres,
com as espigas douradas no vento,
com as chuvas de verão
e com as linhas da minha mão.
Contigo aprendi
que o amor reparte
mas sobretudo acrescenta,
e a cada instante mais aprendo
com o teu jeito de andar pela cidade
como se caminhasses de mãos dadas com o ar,
com o teu gosto de erva molhada,
com a luz dos teus dentes,
tuas delicadezas secretas,
a alegria do teu amor maravilhado,
e com a tua voz radiosa
que sai da tua boca
inesperada como um arco-íris
partindo ao meio e unindo os extremos da vida,
e mostrando a verdade
como uma fruta aberta.
após longo e tenebroso inverno, eis que desabrocham entendimentos, idéias, ações. este blog é a continuação do blog Sonhos de Alamanda e sinaliza um novo processo de descobertas voltadas à consciência às ações que levam a uma existência mais leve, primaveril e à certeza de que não estamos aqui por acaso.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Rústica
"Ser a moça mais linda do povoado,
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,
Ver descer sobre o ninho aconchegado
A bênção do Senhor em cada filho.
Um vestido de chita bem lavado,
Cheirando a alfazema e a tomilho...
Com o luar matar a sede do gado,
Dar às pombas o sol num grão de milho...
Ser pura como a água da cisterna,
Ter confiança numa vida eterna
Quando descer à “terra da verdade”...
Meu Deus, dai-me esta calma, esta pobreza!
Dou por elas meu trono de princesa,
E todos os meus reinos de ansiedade".
(Florbela Espanca)
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,
Ver descer sobre o ninho aconchegado
A bênção do Senhor em cada filho.
Um vestido de chita bem lavado,
Cheirando a alfazema e a tomilho...
Com o luar matar a sede do gado,
Dar às pombas o sol num grão de milho...
Ser pura como a água da cisterna,
Ter confiança numa vida eterna
Quando descer à “terra da verdade”...
Meu Deus, dai-me esta calma, esta pobreza!
Dou por elas meu trono de princesa,
E todos os meus reinos de ansiedade".
(Florbela Espanca)
CAntar
sensações e sentimentos múltiplos
afloram
e me invadem ao cantar
uma música, quando toca o coração
de alguém que está ouvindo
provoca ondas de emoções
que me chegam feito arrepios
quando a harmonia entre os músicos
dilui o eu de cada um
e faz com que todos sejam
uma só alma sonora
provoca um entorpecimento
um "barato"
que só a música é capaz
e você, meu guitarrista
quando me olha cantando
e produz seus ricos acordes
que me envolvem
é como uma dança
uma valsa
um bolero
a dois
que faz de cada um
um "nós"
que não é nó
é laço bonito
enfeitado de amor
afloram
e me invadem ao cantar
uma música, quando toca o coração
de alguém que está ouvindo
provoca ondas de emoções
que me chegam feito arrepios
quando a harmonia entre os músicos
dilui o eu de cada um
e faz com que todos sejam
uma só alma sonora
provoca um entorpecimento
um "barato"
que só a música é capaz
e você, meu guitarrista
quando me olha cantando
e produz seus ricos acordes
que me envolvem
é como uma dança
uma valsa
um bolero
a dois
que faz de cada um
um "nós"
que não é nó
é laço bonito
enfeitado de amor
quinta-feira, 18 de março de 2010
Dimensões
assim como o quente e o frio
o macio e o áspero
o azedo e o doce,
sensações e intuições
mais etéricas
menos físicas
se me revelam
fazendo com que meu
dia-a-dia
fique mais fácil de transpor
orações, agradecimentos
e permissões
brotam de meu pensamento
e é como se portas
fossem se abrindo
por onde passo
grata e confiante
é como ensinava Dona Canô
a mãe dos (nem tão)Novos baianos
"é preciso pedir licença
mas nunca deixar de entrar"
o macio e o áspero
o azedo e o doce,
sensações e intuições
mais etéricas
menos físicas
se me revelam
fazendo com que meu
dia-a-dia
fique mais fácil de transpor
orações, agradecimentos
e permissões
brotam de meu pensamento
e é como se portas
fossem se abrindo
por onde passo
grata e confiante
é como ensinava Dona Canô
a mãe dos (nem tão)Novos baianos
"é preciso pedir licença
mas nunca deixar de entrar"
segunda-feira, 15 de março de 2010
Ataques de desamor
meu lírio dourado
simulo ataques de desamor
pois esse é meu jeito torto
de estar sempre
voltando pra você
mergulhando no seu mar
e me expandindo
cada vez mais
em ondas de gratidão
por ter você
em minha vida
(outrora tão bandida)
P.S.: você me transportou de Almodovar pra Win Wanders
simulo ataques de desamor
pois esse é meu jeito torto
de estar sempre
voltando pra você
mergulhando no seu mar
e me expandindo
cada vez mais
em ondas de gratidão
por ter você
em minha vida
(outrora tão bandida)
P.S.: você me transportou de Almodovar pra Win Wanders
Luz que dói
Minh'alma desabrocha pra luz
que me cega
faz doer os olhos
impelindo-me de volta à escuridão
mas lá é frio
angustiante
atemorizada
porém confiante
enfrento a imensidão
que me cega
faz doer os olhos
impelindo-me de volta à escuridão
mas lá é frio
angustiante
atemorizada
porém confiante
enfrento a imensidão
sexta-feira, 12 de março de 2010
Dalva e Herivelto
de tanto amá-la
traía
assustado,
ofuscado pelo seu brilho
fugia
de tanto querer
a perdia
triste destino
triste sina
dos que têm pavor
de viver um grande amor
condenação em vida
e depois
quem sabe a morte
tenha sido a única saída
não quero mais um amor assim
grande e impossível
quero o amor pequeno que cresce devagar
quero o amor feinho de Adélia Prado
o amor quietinho dos mineiros
o amor que dura
perdura
suporta e atura
quero um amor
pra vida
e não pra morte
um amor que decida
sem estar à mercê da sorte
quero você Tato
com sua guitarra
sua careca
sua caravan
sua Bel-moleca
quero o vô
quero a vó
o gato e
a loja cheia de pó
só não quero ficar só.
traía
assustado,
ofuscado pelo seu brilho
fugia
de tanto querer
a perdia
triste destino
triste sina
dos que têm pavor
de viver um grande amor
condenação em vida
e depois
quem sabe a morte
tenha sido a única saída
não quero mais um amor assim
grande e impossível
quero o amor pequeno que cresce devagar
quero o amor feinho de Adélia Prado
o amor quietinho dos mineiros
o amor que dura
perdura
suporta e atura
quero um amor
pra vida
e não pra morte
um amor que decida
sem estar à mercê da sorte
quero você Tato
com sua guitarra
sua careca
sua caravan
sua Bel-moleca
quero o vô
quero a vó
o gato e
a loja cheia de pó
só não quero ficar só.
terça-feira, 9 de março de 2010
Alzheimer
(Para minhas tias Lourdes, Judith, Gesse, tio Zito e Seu Dante)
onde mora sua alma
enquanto o tempo demora?
o que foi feita da memória
do brilho no olhar, das histórias?
quem habita seu corpo
enquanto você vai embora?
são perguntas que me oprimem
e meu peito aperta e chora
você já não foi e nem fica
e Deus se cala e não explica:
enquanto seu corpo insiste
sua alma a tudo assiste?
onde mora sua alma
enquanto o tempo demora?
o que foi feita da memória
do brilho no olhar, das histórias?
quem habita seu corpo
enquanto você vai embora?
são perguntas que me oprimem
e meu peito aperta e chora
você já não foi e nem fica
e Deus se cala e não explica:
enquanto seu corpo insiste
sua alma a tudo assiste?
segunda-feira, 1 de março de 2010
Despertar vazio de poesia escrita
tenho visto poesia, na folha, na pedra,
no céu, nos sorrisos, nos beijos roubados dos casais anônimos
no prato de comida abençoado
nos livros enfileirados das estantes do Sebo
só não tenho feito poemas escritos
estou numa fase sensorial
ou será que só sei fazer poesia
da confusão e do sofrimento?
será que a dor é o cimento perfeito
pra poemas fortes e sentimentais?
pouco importa
que fique oco o blog
que fique vazia
minha estante de criações
o que importa
é que tenho estado
serena
em paz
até mesmo feliz
e isso é novo
e bom
no céu, nos sorrisos, nos beijos roubados dos casais anônimos
no prato de comida abençoado
nos livros enfileirados das estantes do Sebo
só não tenho feito poemas escritos
estou numa fase sensorial
ou será que só sei fazer poesia
da confusão e do sofrimento?
será que a dor é o cimento perfeito
pra poemas fortes e sentimentais?
pouco importa
que fique oco o blog
que fique vazia
minha estante de criações
o que importa
é que tenho estado
serena
em paz
até mesmo feliz
e isso é novo
e bom
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