após longo e tenebroso inverno, eis que desabrocham entendimentos, idéias, ações. este blog é a continuação do blog Sonhos de Alamanda e sinaliza um novo processo de descobertas voltadas à consciência às ações que levam a uma existência mais leve, primaveril e à certeza de que não estamos aqui por acaso.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
RÚSTICA (Florbela Espanca)
Ser a moça mais linda do povoado
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,
Ver descer sob o ninho aconchegado
A bênção do Senhor em cada filho.
Um vestido de chita bem lavado,
Cheirando a alfazema e a tomilho...
Com o luar matar a sede do gado,
Dar às pombas o sol num grão de milho...
Ser pura como a água da cisterna,
Ter confiança numa vida eterna
Quando descer à “terra da verdade”...
Meu Deus, daí-me esta calma, esta pobreza!
Dou por elas meu trono de princesa,
E todos os meus reinos de ansiedade.
MEDITAÇÕES CAIPIRAS I
tem dias em que acordo assim
melancólica e quieta
e a tristeza se aproxima
qual gato dengoso
se enroscando em minhas pernas
sem miar...
o ferro de passar roupa
a tábua, o lençol branquinho
me transportam pra um outro mundo
um mundo onde os pensamentos
podem ser passados
até silenciarem
um mundo onde o vai e vem do ferro
vai deixando um rastro liso
com um cheirinho de ordem
e assim me ordeno
roupas na máquina
roupas sob o sol no varal
café no bule
fumaças e aromas
e a tristeza vira quietude
a solidão, solitude
e viver fica gostoso e leve...
(então penso, olhando pela janela:
"ainda bem que não assisto novela!")
domingo, 20 de maio de 2012
"e enquanto o tempo não faz
eu vou me esperando
eu vou me secando
pendurada docemente
no varal da vida"
(Drizotti)
"botei meu coração
pra lavar na máquina.
exagerei no varek
esqueci do amaciante
e agora?"
(Drizotti)
levei meu cérebro pra consertar
na loja de eletrônicos
faltavam peças, sobravam fios
o senhor me falou
que não ia ficar como antes
mas que dava um jeitinho
e não é que deu?
(Drizotti)
deixei um anjo levar
minha alma pra passear
ele voou alto
voou baixo
e depois pousou.
mas pousou longe daqui
meus pés estão cansados...
tem algum motoboy aí?
(Drizotti)
"emprestei meus olhos
pro moço que passava ali
passou um tempo e me devolveu agradecido
contou que viu um monte de gente querida
viu crianças rindo, flores se abrindo...
e eu agora
dei de ver estrelas!
gratidão, moço do Espaço..."
(Drizotti)
C
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