sexta-feira, 12 de novembro de 2010

serenar ser e ninar

antes tudo urgia
feito metrô de metró-polis
feito trânsito intransitável
feito taquicardia inquietável

hoje tudo tarda
nada arde
tudo guarda
guardo
o olhar
o timbre da voz
a hora da mensagem
a segurada no ombro
as palavras de amor transbordadas
da borda da máscara

hoje tudo é sagrado
o minuto
os dias
e as semanas
acumuladas
sem sentir sua pele

e parece que nem precisa
que assim é melhor
porque a intensidade é etérica
e minha mente é elétrica

e é bom que seja assim
deixar a mente quieta
sem razões
sem motivos
pra se sentir dona de seu corpo
e criar confusões
de posses, inseguranças e ciúme
ciúme do ciúme
fel de chorume
espinho sem perfume
ofuscado vagalume

te quero assim
sem saber
se é meu ou não
se virá ou não
porque eu vim
e estou
tranquila
a te esperar
a serenar
à ninar

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Verdades espirituais

o que me pareciam intuições
revelam-se obsessões
sopros desencarnados
em meu ouvido sem porteira

mas agora sei
e respiro
e afasto
o que nem sei se era
ou se sou eu mesma
em minha loucura domada

agora sei
e reino sobre meu corpo
e minh'alma

preservando
serenidade e calma
controlando
pensamentos
que nem são meus
e não são de ninguém
talvez
mas que nem por isso
preciso pegar pra mim
o lixo
jogado na rua

quero o clean...
(se bem que reciclar também é bom)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Mente-cápita num capita niente

o mundo girava
em torno de meu umbigo
o que era seu sofrer
eu teimava que era comigo

agora desperto
de minha tramas mentais
de meu ciúme doentio
dessa vontade de sempre mais

uma quietude serena
se apondera de meu coração

quando te olho
te vejo
intenso na máscara de indiferença
pequeno no porte de grande
sozinho e cheio de mensagens no celular

eis minha mensagem:

Te amo
do jeito que você é

e te peço perdão
por não ter te enxergado antes

sábado, 18 de setembro de 2010

Mentecria mentiradeverdade

cada vez mais
percebo que tudo é ilusão
e que o real
é a paz
é a folha que balança ao vento
é o instante no teu beijo de foca bigodudo

cada vez mais
percebo
que são as convenções sociais
que me levam à angústia
que são meus próprios pensamentos
que me acorrentam
e me condenam
e me aprisinam a alma

cada vez mais
sei cada vez menos

e cada vez mais
obedeço aos sinais
de que te esperar
é o que quero agora
que não há solidão
e nem peito que chora

que não quero suas palavras
nem suas explicações
só quero sua alma
seja lá quando for

sábado, 11 de setembro de 2010

Manuel Bandeira (Lira dos cinqüent'anos - 1942)

BELO BELO



Belo belo belo,
tenho tudo quanto quero.

Tenho o fogo das constelações extintas há milênios.
E o risco brevíssimo - que foi? passou! - de tantas estrelas cadentes.

A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.

O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.

Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.

Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.

As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.

Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.


- Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Densidades poéticas

a poesia me invade a aura
sacodindo o peito
intranquilizando a mente

poesia é matéria densa
feita pra brotar
feito semente
em terra
e água
e lama
e sol

poesia é feito vida
viceja a gente

mas faz doer
ao romprer
membranas
padrões
tinhosices de sertões

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Poesia desperta, mente alerta

os lagos plácidos
com céus sem nuvem
e colinas cobertas de flores brancas
me convidam a fugir

fugir pras florestas
pro mergulho em mares profundos
e pras transparências das costas de coral

para o vôo alto
das águias em penhascos

pro salto vibrante
das águas em cascatas
sobre pedras coloridas
e orquídeas exóticas

é bom o lago
é bom o céu azul límpido

mas a poesia brota da lama
assim como a flor de lótus

poesia errante
de alma que busca
a si mesma
ao outro
à vida
em sua essência
em todas as intensidades
em todas as cores
e texturas
e temperaturas
e sons
e ventos de primavera

eis que desperto
do despertar
para fluir
vibrar
acertar e errar!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

O despertar sereno

os dias se revelam claros e leves
a mente lúcida e tranquila
e parece enfim
que tudo começa a fazer sentido

as interferências longínquas
já não mais afetam

e evoluir para a luz
é tudo o que me resta

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Dimensões se revelam à luz do dia

como se fossem estações de rádio
como se fossem canais de tv
roupas num armário
ou lanches num cardápio

escolho que sintonia vou viver
é tão claro e simples
que até assusta

às vezes somos engolidos
por sintonias desagradáveis
a vida
os próprios pensamentos
principalmente

aí acordamos
percebemos
escolhemos

e lá vamos nós
a bailar
na leveza
de uma dança cósmica
que
assim como as estrelas
pode até terminar

mas seu brilho fica
e perdura
por milhões e milhares
de anos

sexta-feira, 7 de maio de 2010

suave é a noite...

suave é a noite e sua lucidez

"só enxergo claro no escuro"

desperto para a vida
peito aberto
corpo leve
e tudo o que parecia
agonia e recaídas
se transforma
em piada

capítulos de uma novela
que já acabou

cá estou
de volta
pra mim
e
pro que me faz bem

ufa!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Pós - surto

o que pareciam intuições e saudades
se revelou um surto forte
de tristeza e agonia
ondas vampirescas e obscuras

agora passou
já sou eu de novo
já amo meu doce namorado
já gosto da vida
já me emociono com o sol
já tenho meu filho perto de mim

"...já não quero mais a morte
tenho muito que viver
vou querer amar de novo
e se não der não vou sofrer
já não sonho hoje faço
do meu braço o meu viver"
(Milton Nascimento)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Dias frios e luminosos

vento corta de leve
despertando a alma
instaurando a calma

durmo, acordo
vou e volto

e os dias vão passando
tão bons
tão felizes
tão iluminados

como nunca tinham sido
nessa minha existência
de moça complicada

segunda-feira, 29 de março de 2010

Thiago de Mello

A FRUTA ABERTA

Agora sei quem sou.
Sou pouco, mas sei muito,
porque sei o poder imenso
que morava comigo,
mas adormecido como um peixe grande
no fundo escuro e silencioso do rio
e que hoje é como uma árvore
plantada bem alta no meio da minha vida.

Agora sei como as coisas são.
Sei porque a água escorre meiga
e porque acalanto é seu ruído
na noite estrelada
que se deita no chão da nova casa.
Agora sei as coisas poderosas
que valem dentro de um homem.

Aprendi contigo, amada.
Aprendi com a tua beleza,
com a macia beleza de tuas mãos,
teus longos dedos de pétalas de prata,
a ternura oceânica de teu olhar,
verde de todas as cores
e sem nenhum horizonte;
com a tua pele fresca e enluarada,
a tua infância permanente,
sua sabedoria fabularia
brilhando distraída no teu rosto.

Grandes coisas aprendi contigo,
com o teu parentesco com os mitos mais terrestres,
com as espigas douradas no vento,
com as chuvas de verão
e com as linhas da minha mão.
Contigo aprendi
que o amor reparte
mas sobretudo acrescenta,
e a cada instante mais aprendo
com o teu jeito de andar pela cidade
como se caminhasses de mãos dadas com o ar,
com o teu gosto de erva molhada,
com a luz dos teus dentes,
tuas delicadezas secretas,
a alegria do teu amor maravilhado,
e com a tua voz radiosa
que sai da tua boca
inesperada como um arco-íris
partindo ao meio e unindo os extremos da vida,
e mostrando a verdade
como uma fruta aberta.

Rústica

"Ser a moça mais linda do povoado,
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,
Ver descer sobre o ninho aconchegado
A bênção do Senhor em cada filho.

Um vestido de chita bem lavado,
Cheirando a alfazema e a tomilho...
Com o luar matar a sede do gado,
Dar às pombas o sol num grão de milho...

Ser pura como a água da cisterna,
Ter confiança numa vida eterna
Quando descer à “terra da verdade”...

Meu Deus, dai-me esta calma, esta pobreza!
Dou por elas meu trono de princesa,
E todos os meus reinos de ansiedade".

(Florbela Espanca)

CAntar

sensações e sentimentos múltiplos
afloram
e me invadem ao cantar

uma música, quando toca o coração
de alguém que está ouvindo
provoca ondas de emoções
que me chegam feito arrepios

quando a harmonia entre os músicos
dilui o eu de cada um
e faz com que todos sejam
uma só alma sonora
provoca um entorpecimento
um "barato"
que só a música é capaz

e você, meu guitarrista
quando me olha cantando
e produz seus ricos acordes
que me envolvem
é como uma dança
uma valsa
um bolero
a dois
que faz de cada um
um "nós"
que não é nó
é laço bonito
enfeitado de amor

quinta-feira, 18 de março de 2010

Dimensões

assim como o quente e o frio
o macio e o áspero
o azedo e o doce,

sensações e intuições
mais etéricas
menos físicas
se me revelam

fazendo com que meu
dia-a-dia
fique mais fácil de transpor

orações, agradecimentos
e permissões
brotam de meu pensamento

e é como se portas
fossem se abrindo
por onde passo
grata e confiante

é como ensinava Dona Canô
a mãe dos (nem tão)Novos baianos
"é preciso pedir licença
mas nunca deixar de entrar"

segunda-feira, 15 de março de 2010

Ataques de desamor

meu lírio dourado
simulo ataques de desamor
pois esse é meu jeito torto
de estar sempre
voltando pra você
mergulhando no seu mar
e me expandindo
cada vez mais
em ondas de gratidão
por ter você
em minha vida
(outrora tão bandida)

P.S.: você me transportou de Almodovar pra Win Wanders

Bolha protetora

Erro pelos acertos
de minhas escolhas

protejo-me na bolha
que seu amor fez pra mim

Luz que dói

Minh'alma desabrocha pra luz
que me cega
faz doer os olhos
impelindo-me de volta à escuridão

mas lá é frio
angustiante

atemorizada
porém confiante
enfrento a imensidão

sexta-feira, 12 de março de 2010

Dalva e Herivelto

de tanto amá-la
traía

assustado,
ofuscado pelo seu brilho
fugia

de tanto querer
a perdia

triste destino
triste sina
dos que têm pavor
de viver um grande amor

condenação em vida
e depois
quem sabe a morte
tenha sido a única saída

não quero mais um amor assim
grande e impossível

quero o amor pequeno que cresce devagar
quero o amor feinho de Adélia Prado
o amor quietinho dos mineiros
o amor que dura
perdura
suporta e atura

quero um amor
pra vida
e não pra morte
um amor que decida
sem estar à mercê da sorte

quero você Tato
com sua guitarra
sua careca
sua caravan
sua Bel-moleca

quero o vô
quero a vó
o gato e
a loja cheia de pó


só não quero ficar só.

terça-feira, 9 de março de 2010

Alzheimer

(Para minhas tias Lourdes, Judith, Gesse, tio Zito e Seu Dante)

onde mora sua alma
enquanto o tempo demora?

o que foi feita da memória
do brilho no olhar, das histórias?

quem habita seu corpo
enquanto você vai embora?

são perguntas que me oprimem
e meu peito aperta e chora

você já não foi e nem fica
e Deus se cala e não explica:

enquanto seu corpo insiste
sua alma a tudo assiste?

segunda-feira, 1 de março de 2010

Despertar vazio de poesia escrita

tenho visto poesia, na folha, na pedra,
no céu, nos sorrisos, nos beijos roubados dos casais anônimos
no prato de comida abençoado
nos livros enfileirados das estantes do Sebo

só não tenho feito poemas escritos
estou numa fase sensorial

ou será que só sei fazer poesia
da confusão e do sofrimento?

será que a dor é o cimento perfeito
pra poemas fortes e sentimentais?

pouco importa
que fique oco o blog
que fique vazia
minha estante de criações

o que importa
é que tenho estado
serena
em paz
até mesmo feliz

e isso é novo
e bom

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Folia de Reis

os reis estão molhados
encharcados
alagados

mas mesmo assim
continuam abençoando
a vida
o trabalho
o amor

louvado Seja o Meu Senhor!!!

(imanentemente
Spinosiamente
vivo
em meu ser terráqueo)

terça-feira, 5 de janeiro de 2010